Sobre CDs ao vivo e Bootlegs

10 julho , 2008

Se tem uma coisa que eu gosto em matéria de lançamentos são cds ao vivo. Sim, é possível argumentar que a maioria deles não passa de simples caça níqueis, uma forma de lucrar um pouco mais em cima do fã, que vai comprar um disco com músicas que já tem, só porque estão com uma cara diferente. Mas pra mim CDs ao vivo são bons por dois motivos, que só por preguiça vou explicar no parágrafo seguinte.

O primeiro é em relação a bandas que eu desconheço: discos ao vivo são ótimos para conhecer algum artista novo, porque o setlist costuma ser uma espécie de “greatest hits”. É claro que a maioria das músicas representadas serão da turnê em que o CD foi gravado (a não ser em casos especiais, como os tais CDs acústicos ou de celebração de tantos anos de determinado disco). Resumindo, na maior parte das vezes, um CD ao vivo é ótimo pra conhecer o que de melhor a banda tem a apresentar (embora eu seja do tipo que costuma gostar mais de um lado B obscuro do que o grande sucesso radiofonico).

Já o segundo é que o CD ao vivo supostamente mostra como seria a experiência de ouvir (e ver, no caso dos DVDs) sua banda favorita tocando ao vivo, na falta da oportunidade estar fisicamente presente. Explico o supostamente: apesar de gravados ao vivo, com platéia e tudo, a maioria dos CDs ao vivo parece simplesmente uma versão plastificada do que realmente foi determinado show. Todo mundo sabe que ao vivo, erram-se notas, trocam-se versos das canções e há uma ou outra desafinada. Mas nos CDs “ao vivo”, tudo isso desaparece como mágica, inclusive a platéia, que só surge em momentos oportunos. Exemplo disso é o disco Tokyo Tales, do Blind Guardian, em que a platéia só aparece nos poucos momentos em que a banda interage com o público, desaparecendo completamente durante a execução da maior parte do repertório.

Tudo bem que é um lançamento oficial, tem que dar uma “lapidada” antes, mas isso faz com que se perca um pouco da experiência do ao vivo. E ai que entram os bootlegs, gravações de shows muitas vezes amadoras, a maioria com uma qualidade não muito boa. As boas gravações permitem uma idéia bem melhor de como é um show e como o artista funciona ao vivo do que os lançamentos oficiais. Isso fica ainda mais fácil de notar quando se tem disponível a versão bootleg de um show que eventualmente foi transformado em CD ao vivo.

Como exemplo cito o disco Live In Sao Paulo (sim, sem acento no São) do Richie Kotzen, lançado esse ano. Gravado aqui ano passado, o disco simplesmente não tem força. Parece que o Kotzen está tocando num estúdio com uma platéia de meia dúzia de pessoas que preferiam estar em casa vendo Vale a Pena Ver de Novo do que num show de rock. Já na gravação do Bootleg, além de estarem presente as músicas sumariamente eliminadas durante a edição e conservarem a ordem original em que foram tocadas (impressionante como um show de 19 músicas se transforma em um de 12), é possível ter uma idéia real da quantidade de pessoas que estavam no local, apesar da qualidade geral de gravação e mixagem ser inferior.

O que me leva a recorrer a bootlegs é justamente isso, há uma proximidade maior entre o que realmente aconteceu no show do que no lançamento oficial. E se engana quem acha que não é possível manter o espírito original de um show num lançamento ao vivo, seguindo a lógica de que ninguém vai comprar algo mal gravado ou em que o som dos instrumentos não sai cristalino. Exemplo maior disso é o álbum Live At Leeds do The Who, que apesar do som chiado que possuia em seu lançamento, até hoje é aclamado como um dos melhores discos ao vivo da história do rock.

Acredito eu que a postura mais respeitosa aos fãs, e até a própria ética da banda, seria pegar o material gravado ao vivo e simplesmente mixar os instrumentos da melhor forma possível a torna-los audíveis, porém sem eliminar totalmente a presença da platéia ou tentar corrigir em estúdio todos os mínimos erros encontrados. O que me leva a questionar: em uma época em que os CDs vem cada vez mixados de maneira pior, de forma a terem o mais volume possível, perdendo as sutilezas das músicas no processo, será que ainda dá pra contar com lançamentos como o Live At Leeds, que só conseguiu ser lançado da maneira que foi devido às dificuldades técnicas para “plastificar” o som na época de seu lançamento?

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Sobre o Tim Festival

4 novembro , 2007

No último dia 31, como todo mundo já deve saber, rolou o último dia do Tim Festival. A etapa curitibana contou com a presença de Hot Chip, Björk, Arctic Monkey e The Killers. Fui mais pela expectativa de ver o Arctic Monkeys, que é uma banda que gosto bastante (apesar do segundo álbum estar bem aquém do primeiro, em minha opinião), um pouco por The Killers, que gosto de uma coisa ou outra, e principalmente pelo preço, que pra estudantes tava saindo por 30 reais.

No dia acabei chegando meio “tarde”, bem quando o Hot Chip estava pra começar a última música. Pelo pouco que vi, gostei dos caras, ao menos ao vivo eles parecem se virar bem, mas claramente 99% do público não estava ali pra ver essa banda, tanto que pouquíssima gente se empolgou com os caras.

Logo foi a vez de Björk entrar no palco, e devo confessar que eu não gosto das músicas dela nem um pouco… Não é questão de odiar, mas sim de não ser algo que me atinja, não é o tipo de música que me diga alguma coisa. Bom, de qualquer forma devo elogiar a produção do show dela, os efeitos utilizados funcionaram muito bem, até pra alguém que não curte muito a islandesa, teve alguns momentos empolgantes.

Com um pouco de atraso, o Arctic Monkeys entrou no palco e não me decepcionou nem pouco. É impressionante como as músicas não perdem nenhuma qualidade em relação ao estúdio, inclusive ganham mais peso, o que as torna ainda melhores. Tá certo que como fã chato, eu colocaria algumas músicas a mais, e trocaria outras, mas o set foi muito bom, misturando material dos dois álbuns e incluindo uma música ainda inédita. Pena que como tocavam uma música logo em seguida da outra, sem nenhuma pausa quase, a impressão que ficou é que foi um show com um set ainda menor do que teve… inveja do pessoal que foi no Rio de Janeiro e conferiu 5 músicas a mais.

Mais uma vez o palco teve que ser remontado, e com cerca de meia hora de atraso (o que é ruim, mas ainda assim é melhor do que o padrão brasileiro de achar que é normal um show atrasar cerca de 3 horas, e que ninguém deve reclamar de algo do tipo), entra o Killers, no que foi o melhor show da noite. Sério, danem-se esses sites e revistas metidos a entendidos de alta cultura, que dizem que a produção é cafona, que tem todo um clima “kitsch” nas músicas e nas poses do vocalista.

O importante é que o Killers sabe fazer um excelente show ao vivo, os membros têm boa presença de palco, e sabem dosar a hora de soltar um hit e agitar ainda mais a galera. Pena que muita gente já tava cansada e acabou não animando o show muito em algumas horas, mas mesmo assim o Killers foi a melhor atração da noite. Merecia sem dúvida uma segunda vinda ao Brasil, dentro do Tim Festival ou não, de preferência sozinhos, assim dava pra aproveitar um set ainda maior.